quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

fitoterápicos passam a ser oferecidos pelo SUS em 2010

Fitoterápicos produzidos com alcachofra poderão ser usados no SUS 

Mais seis medicamentos fitoterápicos passarão a ser oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a partir de 2010. No total, o SUS contará com oito remédios desse tipo.

Serão incluídos na relação oferecida à população remédios feitos com alcachofra, aroeira, cáscara sagrada, garra do diabo, isoflavona da soja e unha de gato. Desde 2006, medicamentos produzidos com guaco e espinheira santa estavam disponíveis.

Porém, o diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, José Miguel do Nascimento Junior, ressalta que nem todos esses medicamentos estarão nos postos de saúde.

Segundo ele, cabe ao gestor do SUS de cada localidade definir quais remédios comprar com a verba destinada pelo Ministério da Saúde, pelos estados e municípios.

Fitoterápicos feitos com guaco já eram utilizados pelo SUS desde 2006

“A inclusão dos fitoterápicos no SUS significa que o administrador poderá comprar antibiótico, produto para asma e escolher também um xarope de guaco. Será levado em conta o costume do uso dessas plantas pela população. São seis novas opções terapêuticas que o gestor do SUS está autorizado a comprar para os pacientes, caso ele entenda que é interessante”, disse Nascimento Junior ao G1.
Receita médica
Apesar da distribuição pelo SUS ajudar a popularizar os fitoterápicos, especialistas alertam que esses medicamentos só podem ser consumidos com orientação médica.

“Os medicamentos têm origem em plantas, mas isso não significa que podem ser tomados sem receita médica. Aquela ideia de que o que vem da terra não faz mal, não é verdade”, diz Ricardo Tabach, doutor em psicobiologia e pesquisador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

De acordo com Tabach, tomar fitoterápicos junto com remédios tradicionais não é apenas desnecessário, mas também perigoso. O ato pode acarretar em uma interação medicamentosa com efeitos colaterais e reações adversas. Mesmo produtos naturais são perigosos. “Um paciente em tratamento com um remédio tradicional pode começar a tomar um chá para ajudar. Quando ocorrem efeitos colaterais, o médico acha que é o remédio, sem saber que o motivo foi a combinação com o chá”, diz.

A médica Ceci Mendes Carvalho Lopes, presidente da Associação Médica Brasileira de Fitomedicina (Sobrafito), acredita que a medida pode diminuir o preconceito dos próprios médicos em relação aos fitoterápicos. “Existe um preconceito imenso que, na realidade, não tem sentido, mas está baseado no fato de muitas faculdades não terem fitoterapia no currículo. O médico tem receio de se comprometer com uma coisa que ele não conhece”, disse.

Para a médica, se o medicamento existe e tem efeito comprovado, não há motivos para não usá-lo. “Não pode acreditar só na tradição popular. Desde que exista o respaldo científico, o fitoterápico é uma opção para o médico conforme cada caso”, afirma Ceci.

Registro
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que os oito medicamentos têm registro. Segundo a Anvisa, há 512 medicamentos fitoterápicos registrados, que são fabricados por 119 empresas.

Segundo Nascimento Junior, os oito fitoterápicos disponíveis no SUS foram determinados a partir de alguns critérios, como ser originário de plantas nativas do Brasil ou exóticas adaptadas, estar representado nas cinco regiões do Brasil e ter indicação para uso em doenças da atenção básica.

A expectativa do governo é que os medicamentos sejam usados em todos os estados. “É um processo de crescimento para romper barreiras, preconceitos e ganhar o status como o de outros medicamentos”, afirma Nascimento Junior.
Lista de medicamentos oferecidos pelo SUS:


Imagem                             
  Nome Popular
Indicações de uso
Reprodução/TV Globo

(Reprodução/TV Globo)

Alcachofra
Tratamento de dores na região abdominal associadas a disfunções relacionadas ao fígado e à bile.
Reprodução/TV Globo

(Reprodução/TV Globo)

Aroeira
Produtos ginecológicos anti-inflamatórios.
Reprodução/TV Globo

(Reprodução/TV Globo)

Isoflavona da Soja
Climatério (coadjuvante no alívio dos sintomas)
Reprodução/TV Globo

(Reprodução/TV Globo)

Unha de Gato
Anti-inflamatório (oral e tópico) nos casos de artrite reumatóide, osteoartrite (artrose) e como imunoestimulante.
Reprodução/TV Globo

(Arquivo/Embrapa)

Guaco
Indicado para tosse, bronquite, asma, pigarro, rouquidão e inflamação na garganta.
Espinheira Santa
Indicada no combate a úlceras e problemas estomacais.
Cáscara Sagrada
Constipação ocasional (prisão de ventre)
Garra do Diabo
Anti-inflamatório (oral) para dores lombares, osteoartrite (artrose)

*Fonte: Portal G1 e Ministério da Saúde

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010


Tomilho - Thymus vulgaris L.


O tomilho — Thymus vulgaris L.— é uma planta originária da região mediterrânea, possuindo diversos princípios que lhe confere o uso na culinária, fitoterapia e aromaterapia, tanto em empregos caseiros e tradicionais menos elaborados, sendo cultivados em pequenos canteiros ou floreiras, como em usos mais intensivos em indústrias. Seu nome Thymus deriva da palavra grega thuos que refere-se a “madeira que quando queima exala agradável aroma”, sendo está queimada nos templos como um incenso, vislumbrando felicidade, força, força e altivez. Nessa busca por mais força e vigor os soldados romanos se banhavam com de tomilho antes das batalhas e os cavalheiros na época das cruzadas usavam os ramos da planta em sua vestimenta. (NEGRAES, 2003)
O tominho se caracteriza por ser um arbusto perene, atingindo entre 20 e 30 cm de altura, possuindo um caule tortuoso, lenhoso e rasteiro que se agrupam formando uma touceira, suas folhas verde-acinzentadas, são opostas, pequenas, sésseis, com o pecíolo curto, lineares, lanceoladas, oblongas ou ovais, com os bordos enrolados para baixo. As suas flores são pequenas, podendo ser róseas ou brancas, e a planta toda exala um aroma picante e amargo. (PANIZZA,1999 ­/ MARTINS et al, 2000)

Parte utilizada
Capítulos florais (sumidades floridas) e folhas, utilizados frescos ou secos ao sol.

Princípios ativos:
O principal constituinte ativo do tomilho é o óleo essencial, com cerca 1,0% a 2,5%, que é composto principalmente por: timol, carvacrol, linalol, p-cimol, cimeno, thymene, α-pineno, apigenina, luteolina, e 6-glicosídeos, di e tri flavonas, além da presença de taninos, vitamina C flavonóides, ácidos fenólicos, ácido oleanólico, ácido ursólico, resinas e saponinas. (OMS, 1999 / MARTINS et al, 2000 / ESALQ, 2009)

Propriedades terapêuticas
Atividade espasmolítica e antitussígena atribuída através de testes in vitro à presença de polimetoxiflavonas. Atividade expectorante e secretora, observadas em testes com a solução diluída de óleo essencial ministradas a rãs, que teve com resultado a estimulação dos movimentos ciliares da mucosa da faringe e com o extrato houve um aumento na secreção de muco dos brônquios. Atividade antifúngica e antibacteriana, onde estudos in vitro demonstraram que o óleo essencial de tomilho, atua contra uma série de fungos, entre eles podemos destacar: Cryptococcus neoformans, Aspergillus e Zygorhynchus, e a atuação contra as seguintes bactérias: Salmonella typhimurium, Staphylococcus aureus, Escherichia coli, entre outras. (OMS, 1999)
Broncodilador, expectorante, antiespasmódico, eupépticos, colagogo, colerético, hipotensor, enurese, analgésico, antiinflamatório, anticoagulantes, antiagregante, antitrombóticos, antioxidante e antitérmico (ALONSO,1998)
Foi realizada uma análise in vitro dos efeitos do chá de Thymus vulgaris Linn, sobre a aderência de Candida albicans à resina acrílica, onde os resultados alcançados mostraram uma significativa redução da aderência de C. albicans à resina acrílica, quando comparado ao grupo controle. (CARRETO et al, 2007)

Indicações terapêuticas
Problemas relacionados com as vias respiratórias, asma, bronquite, melhorar os processos digestivos, aumentar a liberação de bile, hipertensão arterial, incontinência urinária, inflamações, trombose, como antioxidante, processo febril, como analgésico e para fazer limpezas e assepsias. Usos aprovados pela comissão E, coqueluche, bronquite e catarros na parte superior do aparelho respiratório. (ALONSO,1998)


Contra indicações
Pessoas com hipertiroidismo, ulcera gastroduodenal, gastrite, e crianças menores de 6 anos. (ALONSO, 2004) Segundo OMS (1999), apesar de não ter apresentado resultados significativos, o uso medicinal do tomilho deve ser evitado durante a gravidez e lactação.

Uso culinário
Seu aroma herbáceo e quente, junto com um sabor picante e amargo fazem parte de ingredientes de famosas composições da culinária, estando presente no buquê garni, ervas de provence e ervas finas, além de seu uso isolado de seus ramos frescos ou desidratados servirem na aromatização de carnes, peixes, verduras, legumes, queijos, pizzas, aromatizar azeites e vinagres, para rechear pepinos, tomates, pimentões, berinjelas e embutidos contribuindo na conservação da carne evitando o desenvolvimento de fungos. (NEGRAES, 2003 / LINGUANOTTO, 2004)


Referências

ALONSO, Jorge R. Tratado de Fitomedicina: Bases clínicas e farmacológicas. Argentina, Rosário: Corpus Libros, 1998.

CARRETO, Claunencil de Fátima Pires et al. Efeitos do chá de tomilho sobre a aderência in vitro de Streptococcus mutans ao esmalte dentário e Candida albicans à resina acrílica. In: Revista de Odontologia. São José dos Campos, SP: UNESP, 2007 (v. 36, nº 3). Disponível em http://www.hostcentral.com.br/rou/PDF/v36n3a14.pdf – Consultado em 20/08/2009

ESALQ. Plantas medicinais e aromáticas: cultivo de horta medicinal. Piracicaba, SP: USP, 2009. Disponível em http://www.esalq.usp.br/siesalq/pm/p05.pdf – Consultado em 16/08/2009

LINGUANOTTO, Nelusko Neto. Ervas & Especiarias: com suas receitas: dicionário gastronômico. 2ª ed. São Paulo: Gourmet Brazil / Boccato Editores, 2004.

MARTINS, Ernane Ronie et al. Plantas medicinais. Viçosa, MG: UFV, 2000

NEGRAES, Paula. Guia A-Z de Plantas: condimentos. São Paulo: Bei Comunicação, 2007.

OMS. Who Monographs on Selected Medicinal Plants. Geneva: WHO, 1999 (v. 1). Disponível em http://whqlibdoc.who.int/publications/1999/9241545178.pdf%20–%20Consultado%20em%2009/08/2009

PANIZZA, Sylvio. Plantas que Curam: cheiro de mato. São Paulo: IBRASA, 1997.