terça-feira, 16 de março de 2010

Guiné

Petiveria alliacea L. – Guiné, Mocura-caá, Tipi, Cagambá, Embiaiendo, Amansa-senhor, Raiz-de-Guiné.


A Guiné é uma planta que pertence a família das Fitolacáceas (Phytolacaceae), encontra-se desde a Flórida, México, Antilhas até grande parte da América do sul. Também existem cultivos em Cuba, Índia, Europa e mais recentemente na África. É uma planta de origem americana, de aproximadamente 30 a 100 cm de altura. Caracterizada por apresentar uma haste ereta, pouco ramosa; folhas simples, alternas, estipuladas, membranosas, agudas no ápice e estreitas na base; flores sésseis, pequenas e esbranquiçadas, reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes; fruto aquênio cilíndrico, achatado e carenado. Há registros que durante o período escravagista no Brasil, negros e negras eram exímios manipuladores de ervas com fins “mágicos”, e davam aos feitores a fim de torná-los mais brandos na convivência diária, chamavam as plantas utilizadas de amansa-senhor.

Hoje em dia seu uso varia de acordo com cada região. Que vai desde usos medicinais, a usos “mágicos” onde por exemplo, ela é muito utilizada junto com a arruda, em vasos de proteção colocados à porta das casas. A guiné funcionaria como uma espécie de “antena” que captaria as más vibrações, que seriam então neutralizadas pelo poder desinfetante da arruda.

Parte utilizada: Toda a planta, especialmente a raiz.
Uso terapêutico: Dores reumáticas , de coluna e cabeça , falta de memória , regulador menstrual, fortalece a gengiva e a garganta.

Propriedades Medicinais: febrífuga, anti-espasmódica, diurética, expectorante, antimalárica, analgésica, antitussígena, vermífuga, anti-séptica, antirreumática, antimicrobiano, gengivite, inflamações da boca e anticancerígeno.

Constituintes Químicos: triterpenos, cumarinas, alantoína, beta-sitosterol, álcool lignocerílico, lignocerato de lignoceril. Contém também, nas raízes, benzaldeido, ácido benzóico, benzil-2-hidroxi-5-etil trisulfuro, dibenzil-trisulfuro, nitrato de potássio.

Contra Indicação: Não se recomenda o uso durante a gravidez, devido a propriedades que estimulam a atividade uterina, podendo causar o aborto.

Indicação de Uso: Na forma de infusão preparado adicionando – se água fervente a uma xícara (chá) contendo uma colher (sopa) de suas folhas picadas e aguardando 15 minutos antes da ingestão. Tomar 3 vezes ao dia, tintura (1-3ml a dose), inalação (decocção de 5-10 gramas de folhas por litro de água. Inalar o vapor com ajuda de um pano ou toalha, em um quarto bem ventilado) e banhos (decocção da raiz a partir de 100-200 gramas do vegetal, em quantidade suficiente de água). E também o uso das folhas maceradas para gargarejos nos casos de dores na garganta.

Estudos Científicos: O mecanismo proposto para a atividade antiinflamatória seria através da inibição da enzima ciclooxigenase. Mostrou-se também que a administração oral do extrato liofilizado da raiz da petiveria reduziu significativamente a migração de neutrófilos, eosinófilos e monócitos, proporcionando um efeito analgésico e antiinflamatório.
A administração de 50mg/k do extrato de petiveria demonstrou estimular a atividade fagocítica do sistema reticulo endotelial de camundongos inoculados com doses letais de Escherichia coli, a qual estaria relacionada com a presença do composto benzil-2-hidroxi-5-etil trisulfuro.
O extrato hexanico de petiveria demonstrou aumentar o índice de fagocitoses em cultivos de granulócitos humanos.

Bibliografia:

ALONSO, R. J. Tratado de fitofármacos y nutracéuticos. Buenos Aires:
Corpus, 2007.

DUKE J.: Hierbas con potencial anti-sida. Medicina Holística 28: 39-42 (1991).

GERMANO D. et al.: Topical antiinflamatory activity and toxicity of Petiveria alliacea. Fitoterapia 64 (5): 459-462 (1993).

LOPES Martins R.; Pegararo D.; Woisky R.; Penna S. and Sertie J.: The antiinflamatory and analgesic effects of a crude extract pf Petiveria alliacea
L. Phytomedicine. 9 (3): 245-8 (2002).

STASI L.; Hiruma-Lima C.: Plantas Medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. 2ª ed. São Paulo: Unesp Ed. (2002)

WHITTLE B.: British J. Pharmacol. 80: 545. (1983).

http://maniasemanias.com/loja/product_info.php?products_id=1415

http://www.aguaforte.com/herbarium/Petiveria.html

Por: Ana Paula Carboni - Estudante de Naturologia