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domingo, 18 de abril de 2010

Confrei - Symphytum officinale

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Família: Boraginaceae. 
É uma planta originária da Europa (Portugal e Inglaterra) e da Ásia temperada, naturalizado nos Estados Unidos e América do Sul e conhecido popularmente no Brasil como confrei, consolda-maior, consólida-maior, orelha-de-asno, erva-do-cardeal, língua-de-vaca e orelha-de-burro.
Alguns Usos Medicinais: inflamações, fraturas, dores, hematomas e luxações, ferimentos, úlceras de decúbito, úlceras varicosas.


Parte utilizada: folhas adultas (as novas são tóxicas), raiz e rizoma em alguns casos.
Contra-indicações/cuidados: O confrei deve ser usado apenas externamente, a não ser sob orientação de um médico ou especialista, pois é uma com certa toxidade para o consumo oral, seu uso interno é proibido no Brasil.

Efeito Cicatrizante do Confrei: . A alantoína é cicatrizante, pois aumenta a proliferação das células, promovendo o crescimento do  tecido conjuntivo. Possui também ação antiirritante, hidratante e removedora de tecidos necrosados. Estudo com o extrato de confrei mostrou atividade antiinflamatória. O creme deve ser utilizado em lesões mais secas. (Magro Filho, 1987; Souza, 1991; Alonso, 1998, Matos, 2000)

Constituintes químicos: ácido fólico, ácido ascórbico, ácidos nicotínico, ácido tânico, ácido galo-tânico, ácido pantotênico, alcalóide alantoína (0,44 a 0,50% nas folhas e de 0,60 a 2,55% nas raízes), alcalóides pirrolizidínicos (sinfitina, equimidina e lasiocarpina ), amido, aminoácidos essênciais, arginina, arinina, asparagina, carboidratos, caroteno, cianocobalamina, cistina, cálcio, cinzas (9,06%), colina, consolidina, equimidina, esteróis, fenilamina, ferro, fósforo, fructanos, heterosídeos cianogênicos e saponínicos, gomas, histidina, intermedina, iodo, isoleucina, lactonas sesquiterpênicas (como a leonitina e as trimetoxicumarinas), lasiocarpina, leucina, licopsamina, lisina, melonina, manganês, mucilagens, pirrolizidina, potássio, proteínas, prolina, próvitamina A, tirosina, resina, saponinas, sinfitina, sinfito-sinoglossina, taninos, tanino, tirosina, treolina, triptofano, triterpenos, valina, vitaminas A, B1, B2, B12, C, E, zinco.

Propriedades medicinais: adstringente, antianêmica, antiasmática, anticancerígena, antidiabética, antidiarréica, antidisentérica, anti-hemorroidária, antiinflamatória, antileucêmica, anti-reumática, amarga, béquica, calmante, cicatrizante, depurativa, desintoxicante, emoliente, expectorante, hemostática, hidratante, higienizante, laxante, mineralizante, mucilaginosa, regeneradora celular, tônica, vulnerária.

Alguns modos de preparo
:
- Alcoolatura: misturar 1 parte de sumo das folhas em 5 partes de álcool. Aplicar sobre as partes afetadas.
- Cataplasma de 6 g de folhas amassadas ao ponto de pasta e aplicar sobre o ferimento, varias vezes ao dia. Pode-se adicionar glicerina à pasta.
- Emplastro: esmagar as folhas em água morna e aplicar sobre o ferimento 2 vezes ao dia. No caso de contusões e inchaços, colocar o emplastro dentro de um pano antes de aplicar.
. 30 g de folhas por litro de água;
. 2 folhas velhas em 2 copos de água quente. Tomar 3 vezes ao dia;
- Compressa: usar o decocção das folhas sobre feridas e queimaduras, várias vezes ao dia;
- Alcoolatura de 1 parte do sumo em 5 partes de álcool;
- Decocção: 4-5 g de chá em 250 ml de água, para lavar feridas;
- Extrato: utilizar 10-15% em cremes.
- Pomadas e gel prontos.

Referencias: 

TOLEDO, A.C.O.; DUARTE, M.R.; NAKASHIMA, T.. Análise farmacognóstica da droga e do extrato fluido das folhas de Symphytum officinale L. (Boraginaceae). Rev. bras. farmacogn.,  Maringá,  2010 .   Available from . access on  18  Apr.  2010.  doi: 10.1590/S0102-695X2003000400001.

Plantamed: http://www.plantamed.com.br/plantaservas/especies/Symphytum_officinale.htm
ALONSO, J.R. Tratado de fítomedicina. Bases Clínicas e Farmacológicas. Buenos Aires: ISIS, 1998.

BALDUCCI-ROSLINDO, Eleny; SILVERIO, Karina Gonzales; MALAGOLI, Daniela Mercaldi. Processo de reparo em feridas de extração dentária em camundongos tratados com o complexo Symphytum officinale e Calendula officinallis. Rev Odontol Univ São Paulo,  São Paulo,  v. 13,  n. 2, Apr.  1999 .   Available from . access on  18  Apr.  2010.  doi: 10.1590/S0103-06631999000200013.

terça-feira, 16 de março de 2010

Guiné

Petiveria alliacea L. – Guiné, Mocura-caá, Tipi, Cagambá, Embiaiendo, Amansa-senhor, Raiz-de-Guiné.


A Guiné é uma planta que pertence a família das Fitolacáceas (Phytolacaceae), encontra-se desde a Flórida, México, Antilhas até grande parte da América do sul. Também existem cultivos em Cuba, Índia, Europa e mais recentemente na África. É uma planta de origem americana, de aproximadamente 30 a 100 cm de altura. Caracterizada por apresentar uma haste ereta, pouco ramosa; folhas simples, alternas, estipuladas, membranosas, agudas no ápice e estreitas na base; flores sésseis, pequenas e esbranquiçadas, reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes; fruto aquênio cilíndrico, achatado e carenado. Há registros que durante o período escravagista no Brasil, negros e negras eram exímios manipuladores de ervas com fins “mágicos”, e davam aos feitores a fim de torná-los mais brandos na convivência diária, chamavam as plantas utilizadas de amansa-senhor.

Hoje em dia seu uso varia de acordo com cada região. Que vai desde usos medicinais, a usos “mágicos” onde por exemplo, ela é muito utilizada junto com a arruda, em vasos de proteção colocados à porta das casas. A guiné funcionaria como uma espécie de “antena” que captaria as más vibrações, que seriam então neutralizadas pelo poder desinfetante da arruda.

Parte utilizada: Toda a planta, especialmente a raiz.
Uso terapêutico: Dores reumáticas , de coluna e cabeça , falta de memória , regulador menstrual, fortalece a gengiva e a garganta.

Propriedades Medicinais: febrífuga, anti-espasmódica, diurética, expectorante, antimalárica, analgésica, antitussígena, vermífuga, anti-séptica, antirreumática, antimicrobiano, gengivite, inflamações da boca e anticancerígeno.

Constituintes Químicos: triterpenos, cumarinas, alantoína, beta-sitosterol, álcool lignocerílico, lignocerato de lignoceril. Contém também, nas raízes, benzaldeido, ácido benzóico, benzil-2-hidroxi-5-etil trisulfuro, dibenzil-trisulfuro, nitrato de potássio.

Contra Indicação: Não se recomenda o uso durante a gravidez, devido a propriedades que estimulam a atividade uterina, podendo causar o aborto.

Indicação de Uso: Na forma de infusão preparado adicionando – se água fervente a uma xícara (chá) contendo uma colher (sopa) de suas folhas picadas e aguardando 15 minutos antes da ingestão. Tomar 3 vezes ao dia, tintura (1-3ml a dose), inalação (decocção de 5-10 gramas de folhas por litro de água. Inalar o vapor com ajuda de um pano ou toalha, em um quarto bem ventilado) e banhos (decocção da raiz a partir de 100-200 gramas do vegetal, em quantidade suficiente de água). E também o uso das folhas maceradas para gargarejos nos casos de dores na garganta.

Estudos Científicos: O mecanismo proposto para a atividade antiinflamatória seria através da inibição da enzima ciclooxigenase. Mostrou-se também que a administração oral do extrato liofilizado da raiz da petiveria reduziu significativamente a migração de neutrófilos, eosinófilos e monócitos, proporcionando um efeito analgésico e antiinflamatório.
A administração de 50mg/k do extrato de petiveria demonstrou estimular a atividade fagocítica do sistema reticulo endotelial de camundongos inoculados com doses letais de Escherichia coli, a qual estaria relacionada com a presença do composto benzil-2-hidroxi-5-etil trisulfuro.
O extrato hexanico de petiveria demonstrou aumentar o índice de fagocitoses em cultivos de granulócitos humanos.

Bibliografia:

ALONSO, R. J. Tratado de fitofármacos y nutracéuticos. Buenos Aires:
Corpus, 2007.

DUKE J.: Hierbas con potencial anti-sida. Medicina Holística 28: 39-42 (1991).

GERMANO D. et al.: Topical antiinflamatory activity and toxicity of Petiveria alliacea. Fitoterapia 64 (5): 459-462 (1993).

LOPES Martins R.; Pegararo D.; Woisky R.; Penna S. and Sertie J.: The antiinflamatory and analgesic effects of a crude extract pf Petiveria alliacea
L. Phytomedicine. 9 (3): 245-8 (2002).

STASI L.; Hiruma-Lima C.: Plantas Medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. 2ª ed. São Paulo: Unesp Ed. (2002)

WHITTLE B.: British J. Pharmacol. 80: 545. (1983).

http://maniasemanias.com/loja/product_info.php?products_id=1415

http://www.aguaforte.com/herbarium/Petiveria.html

Por: Ana Paula Carboni - Estudante de Naturologia

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Bardana

Nome: Bardana, baldrana, bardana-maior, carrapicho-de-carneiro, carrapicho-grande, erva-dos-pega-massos, erva-dos-tinhosos, gobô, labaca, lapa, orelha-de-gigante, pega-nossa, pegamassa, pegamasso, - Arctium lappa 
 bardana
Sinonímia de nome científico: Arctium majus, Arctium vulgare,  Lappa major, Lappa officinalis, Lappa vulgaris, Arctium chaorum, Arctium leiospermum.

Família: Asteraceae

Origem: Europa

Curiosidades: A bardana é planta bianual, muito conhecida e usada na alimentação e na fitoterapia. É atóxica (não possui nenhuma toxicidade, o uso é portanto bem seguro), nutritiva e com muitos poderes medicinais. Além disso é muito fácil de cultivar. Muito usada na culinária japonesa as raízes da bardana são ótimas para empurás, sopas, refogadas em óleo de soja, com arroz, em refogados de carne e até mesmo fritas como chips. As folhasleo-mic-Arctium-lappa-160 podem ser utilizadas da mesma forma como a acelga, crua ou cozida. As flores também podem ser aproveitadas e têm sabor semelhante às alcachofras.
Deve ser cultivada sob sol pleno ou meia sombra, em solo fértil, profundo, drenável (que não encharca), enriquecido com matéria orgânica (humus, restos de folhas e materia organica em geral) e irrigado regularmente. Adapta-se a uma ampla variedade climática, mas prefere o clima mais ameno. Para a obtenção de raízes longas e bonitas, sugere-se preparar os canteiros e camalhões da mesma forma que para cenouras, elevando-os em pelo menos 15 cm de altura. Multiplica-se por sementes, postas a germinar no meio do verão. A colheita de raízes se inicia cerca de 4 meses após o plantio. As folhas e raízes devem ser colhidas antes das flores sairem, para que não percam suas propriedades medicinais ou fiquem fibrosas.

Constituintes químicos: acetado de diidrofuquinona; ácido caféico, ácido clorogênico, ácidos orgânicos; ácidos graxos; ácido arético, ácido tânico, antibiótico (semelhante à penicilina); arctiina, arctinona, articol; arctiopricina, benzaldeído, carbonato de potássio; eudesmol; fenil-acetaldeído, fitosteróis (sitosterol e stigmasterol); fuquinona; inulina; lapina; lapolina; mucilagens; nitrato de potássio; palmitato de diidrofuquinona; gobosterina, polifénois; resina; sais minerais; taraxasterol;
- raiz: proteínas, glicídios, fibras, cálcio, fósforo, ferro, vitamina A, B1, riboflavina, niacina e vitamina C.

Estudos científicos: Diversos estudos têm sido conduzidos para avaliar o efeito de extratos  de Bardana sobre microrganismos. Algumas pesquisas têm evidenciado atividades variadas, tais como: antibacteriana e antifúngica (Tesk & Trentini 1991), ação anti-oxidante (Maruta, Kawabata & Niki, 1995) e efeito anti-agregação plaquetária (Iwakami & Ebizuka., 1992). De acordo com Teske & Trentini (1991), tanto na raiz quanto nas folhas da planta são encontradas várias substâncias com potencial terapêutico, como: óleos essenciais, taninos, polifenóis, composto antibiótico semelhante a penicilina, vitaminas B e C, cálcio, fósforo e ferro. Outros estudos têm demonstrado efeito hepatoprotetor quando do uso crônico de etanol e também contra carcinógenos, sendo estes efeitos devidos provavelmente aos componentes lignanas, que apresentam atividade antioxidante (Morita et al., 1984; Lin et al., 1996).

Nota: Existem outros estudos mais recentes que comprovam essa atividade antioxidante e ações antifungicas e antimicrobianas da Bardana. Para mais informações consulte a bibliografia no fim da postagem.

Propriedades medicinais: adstringente, antiescorbútica, antiinflamatória, antimicrobiana, antineoplásica, anti-seborréico, anti-séptica, bactericida, bronquite, calmante, cicatrizante, colagoga, colerética, depurativa, diurética, emoliente, estimulante do couro cabeludo, fungicida, hipoglicemiante, lenitivo, purificante, sudorífera, tônica.

Usos terapêuticos: diabetes, seborréia facial, impetigo e acne; eczemas da pele, do couro cabeludo, psoríase, furunculoses, abcessos, úlceras cutâneas, micoses, diabetes, perda de apetite, hepatomegalia, icterícia, diminuição da secreção biliar e hepática, úlceras varicosas infectadas, otites, abcessos e infecções bucofaríngeas.

Principais Ações:

Sistema Hepatobiliar: colerética; atenuação da icterícia; redução da hepatomegalia; hepatoprotetora;

Sistema Gastrointestinal: aumento do apetite e do trânsito intestinal.

Sistema Endócrino: aumento das reservas de glicogênio hepático; hipoglicemiante e estímulo da produção de insulina pelo pâncreas.

Pele e anexos: efeito positivo contra seborréia facial, impetigo e acne; ação sobre eczemas da pele, do couro cabeludo, psoríase (uso interno e externo), furunculoses, abcessos, úlceras cutâneas e micoses.

Parte utilizada: raiz de 1 ano (com a casca), folhas frescas, sementes, flores secas.

Alguns modos de uso:

Uso interno:
- raízes cozidas, em ensopados e feijões;
- folhas cozidas como verdura.
- extrato fluído em álcool 25%: 2 a 8 ml;
- tintura 1:10 em álcool 45%: 8 a 12 ml três vezes ao dia;
- decocção de 10 g a 40 g de raiz para 1 litro d’água tomar 2 a 3 xícaras por dia, adoçando com mel, depois de esfriar: depurativo, afecções gástricas e hepáticas, diurética, gota, reumatismo, artrite, sífilis, lepra, doenças infecciosas, diabetes;
- infusão de uma colher das de sopa de folhas e flores secas picadas em um litro d’água. Tomar 3 a 4 xícaras das de chá ao dia;
- infusão de 2 a 6 g de raízes secas com casca: tomar três vezes ao dia;
- infusão de 30 g de raiz de bardana, com casca em três xícaras de água fervente. Deixar por 30 minutos, coar e beber em duas vezes durante o dia: diurético;
- infusão de uma colher das de sopa da mistura das seguintes ervas: 60 g de raiz de bardana, 25 g de alcaçuz, 50 g de dente-de-leão, 40 g de gramínea e 20 g de raiz de chicória, previamente cortadas, em um xícara de água fervente. Beber pela manhã, em jejum, sem adoçar: depurativo;
- infusão de 4 a 6 g das sementes. Tomar 3 vezes ao dia;

Uso externo:
- tintura: compressas locais;
- cataplasma: raiz fresca (uso externo);
- compressa: fazer decocção com 20 g de raízes frescas em 1 litro d’água, aplicar 3 a 4 vezes ao dia nas partes afetadas;
- decocção ou extrato glicólico1 a 3% em xampus, tônicos capilares, cremes e loções para peles oleosas com cravos e espinhas;
- cataplasma feito com decocção das raízes: aplicar sobre o local afetado: úlceras e chagas;
- cataplasma feito com uma folha fresca de bardana esmagada, depois de lavada e enxuta: furúnculos, abscessos, enfermidades da pele, herpes, seborréias, eczemas úlceras, chagas.

Bibliografia:

ALONSO, J R., Tratado de Fitoterapia, Bases Clinicas y Farmacológicas, Editora: Íris, 1998.
Memento Terapêutico de Bolso - monografias de conclusão da graduação modular em fitoterapia, UAM, 2007

LUBIAN, CT et al. - ESTUDO IN VITRO DO POTENCIAL ANTIFÚNGICO DO EXTRATO AQUOSO DE Arctium lappa L. SOBRE ESPÉCIES DO GÊNERO Candida, 2007

CIBELE MCPG, et al. - Avaliação in vitro da atividade antioxidante do extrato hidroalcoólico de folhas de bardana, 2006

Nakamura, C.V. et al. - Avaliação da atividade antibacteriana e antifúngica de extratos de plantas utilizados na medicina popular, 2003.