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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Curcuma



Curcuma longa - açafrão, curcuma ou zedoária

A Curcuma é uma planta da família das Zingiberaceae, originário da flora asiática, principalmente da Índia, se espalha por outros países tropicais e no Brasil foi introduzido na época colonial, se adaptando em boa parte de nosso território. Tem em seu nome o significado de “mérito da terra” e está datada em um herbário assírio de 600 a.C. É uma planta utilizada para fins religiosos, condimentar e medicinal. Era queimada em cerimoniais para espantar os maus espíritos, seu pigmento foi e continua sendo largamente empregado na coloração de roupas e produtos alimentícios. (MANZAN, 2002)
Seu uso é muito difundido como corante, sendo empregado por farmácias, na culinária e para tingir tecidos, aliás, os trajes típicos budistas têm a cor amarelada pela curcuma. (ALMEIDA, 2006)
As qualidades da curcuma fazem dela de fácil emprego no mercado alimentício, como fonte de amido em bolos ou como corante em mostarda, macarrão, sorvetes, ovos, queijos, salgadinhos tipo chips, carnes e margarina. (ESALQ, 2009)
Consiste em uma planta herbácea de ciclo perene, que chega alcançar até 1.5 metros de altura. Possui um rizoma de coloração amarelo-alaranjado, de consistência carnosa e caracterizado por anéis, suas folhas são longas com formato oblongo-lanceolado de origem basal, flores com coloração amarelas agrupadas em inflorescências, seu fruto é do tipo cápsula possuindo três sementes. (NEGRAES, P, 2003)
No Brasil, a curcuma ainda tem pequena expressão econômica. Mara Rosa (GO) é a cidade que apresenta a maior produção comercial, com cerca de 150 hectares produzindo em média de 12 t/ha de rizomas, destinos em quase toda sua totalidade às indústrias de corantes e alimentos brasileiras. (ESALQ, 2009)

Parte utilizada
Rizoma (raiz)

Princípios ativos
A curcuma possui em sua composição uma serie de constituintes químicos, sendo que os compostos mais biologicamente ativos são: curcumina, dimetoxi curcumina, bis-dimetoxi curcumina, isômeros geométricos cis-trans da curcumina, arturmerona, turmerona, curcomona, turmerol A e turmerol B. (ALONSO,1998)
Outros componentes encontrados no rizoma seco da curcuma são os óleos essenciais, álcool, dimetilbenzílico, zinzibereno, ácido caprílico, borneol, açucares, e pineno, linalol, a-felandreno, d-sabineno, cineol, p-limoneno, ad-cariofileno, gordura, minerais, proteína, fibras, carboidratos e caroteno. (OMS, 1999 / HMA, 2009)

Propriedades terapêuticas
Antiinflamatória, antidispéptica, colerético, anticoncepcional, espasmolítica, hepatoprotetora, antioxidante, antiagregante plaquetária, antiinfecciosa, antiasmática e antimutagénica. (ALONSO,1998 / FRANCO, 2004)
Em diversas literaturas, encontramos estudos que confirmam as atividades antiinflamatórias, antioxidantes, anticancerígenas e nutracêuticos da curcuma, e num estudo realizado in vitro, quanto à ação antimicrobiana da curcuma concluiu-se que o extrato etanólico da bisdesmetoxicurcumina demonstrou in vitro atividade antimicrobiana para o Bacillus subtilis. O óleo essencial obtido por hidrodestilação em aparelho de Clevenger apresentou atividade antimicrobiana in vitro para o B. subtilis, S. choleraesuis, E. coli, A. niger e S. cerevisiae. Essa atividade aumentou com o aumento da concentração. (ALMEIDA, 2008)
Os extratos de Curcuma longa e Aristolochia cymbifera, foram utilizados no tratamento local em coelhos envenenados por Bothrops alternatus, os resultados mostraram uma maior eficiência do extrato de Curcuma minimizando os efeitos locais da picada como edema, hemorragia e necrose. (MELO, LÚCIA e HABERMEHL, 2007)

Trabalhos realizados com os corantes da curcuma mostraram efeitos colerético, colagogo e protetor hepático em ratas. Outro estudo mostra uma involução de cálculos biliares com uso de curcumina e a melhora das funções das enzimas do fígado. (FRANCO, 2004)

Indicações terapêuticas
A curcuma pode ser indicada como antibactericida, para melhorar os processos de digestão, combater ulceras gástricas, aliviar inflamações decorrentes de artrite e artroses, afecções cutâneas, problemas hepáticos, prevenir o deposito de gordura nos vasos sanguíneos, empregada como antioxidante e em casos de câncer. (PANIZZA, 2005)

No Oriente, é usada como hepatoprotetor, estimulante das vias biliares, antiflatulento, diurética, afrodisíaca, diurética, antiparasitária, antifebril, antiinflamatória e para a circulação. Na China é utilizada contra o câncer de colo de útero, em aplicação local e via oral. Usos aprovados pela comissão E, problemas dispépticos, o uso como antiinflamatória, antioxidante, hepatoprotetora, hipolicemiante e como anticancerígena. (ALONSO, 1998/ ESCOP, 2003)

Contra indicações
Vias biliares obstruídas, o abuso ou uma subredosagem podem provocar irritação da mucosa do estômago que pode induzir a formação de úlceras gástricas, cólicas biliares, icterícia obstrutiva e casos de intoxicação extrema do fígado. A aplicação de curcuma deve ser evitada nos primeiros três meses de gravidez, nas mulheres com dificuldade de engravidar, nas pessoas com dificuldade de coagulação sanguínea e em pacientes em uso de anticoagulantes. (HMA, 2009)

Uso culinário
A curcuma é uma raiz dourada com aroma silvestre, forte, fresco lembrando o gengibre e a pimenta seu sabor levemente amargo e pungente, bastando uma pequena pitada para conferir sabor e cor aos pratos. (NEGRAES, 2003)
Tem seu uso muito difundido na cozinha indiana, sendo um dos constituintes principais do curry, e na composição dos molhos a base de mostarda. Suas características enriquecem pratos derivados de arroz, ovos, sopas, molhos para saladas, refogados de legumes, frutos do mar, salmão, frango, carne de porco e pães. (LINGUANOTTO, 2004) (HMA, 2009

Plantio
O plantio é iniciado nos meses mais chuvosos, entre setembro e novembro, e a sua propagação se dá a partir dos gomos com cerca de 1 a 2 brotos cortados de seu rizoma que podem ser plantados diretamente ao solo respeitando um espaçamento de 70 por 30 cm. (EMBRAPA, 2002)
Sua colheita é manual e realizada após 8 meses de seu plantio, se estendendo até 12 meses. Depois de colhido podem ser conservados frescos guardados em refrigeração por algumas semanas, ou podem ser secados ao sol ou em desidratadores, nunca acima de 60ºC, e depois triturados e guardados em potes ao abrigo da luz, no caso do gengibre, eles ainda podem ser fatiados e conservados em vinagre ou ainda serem cristalizados. (NEGRAES, 2003)
Não se aconselha o cultivo continuo em uma mesma área, pois existe um desgaste grande no solo o que pode levar a uma queda acentuada na produção, aconselhando-se fazer rotação da área com outras culturas. (EMBRAPA, 2002)
A curcuma se adapta ao cultivo em pequenos espaços, como vasos, sendo necessário apenas observar a profundidade do local onde será plantado e a manutenção mais constante dos nutrientes. (ibid.)

Referências
ALMEIDA, Lúcia Péret de. Caracterização de pigmentos da curcuma longa l., avaliação da atividade antimicrobiana, morfogênese in vitro na produção de curcuminóides e óleos essenciais. Belo Horizonte, MG: Faculdade de Farmácia da UFMG (Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência de Alimentos) Disponível em http://dspace.lcc.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/MBSA-6X4M39/1/TESE+LUCIA.pdf – Consultado em 15/08/2009

ALONSO, Jorge R. Tratado de Fitomedicina: Bases clínicas e farmacológicas. Argentina, Rosário: Corpus Libros, 1998.

EMBRAPA. Gengibre. Brasília, DF: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2002. Disponível em http://www.cpafro.embrapa.br/embrapa/infotec/gengibre.PDF – Consultado em 11/08/2009

ESALQ. Plantas medicinais e aromáticas: cultivo de horta medicinal. Piracicaba, SP: USP, 2009. Disponível em http://www.esalq.usp.br/siesalq/pm/p05.pdf – Consultado em 16/08/2009

ESCOP MONOGRAPHS. The Scientific Foundantion for Herbal Medicinal Products. 2 ed. Editora Thieme, 2003.

FRANCO, Dr. Luiz Carlos Leme. Fitoterapia para a Mulher. Curitiba, PR: 2004.


HMA. Açafrão. Goiânia, GO: Secretaria de Estado da Saúde, 2009. Disponível em http://www.hma.goias.gov.br/index.php?idMateria=29544 –Consultado em 16/08/2009

LINGUANOTTO, Nelusko Neto. Ervas & Especiarias: com suas receitas: dicionário gastronômico. 2ª ed. São Paulo: Gourmet Brazil / Boccato Editores, 2004.

MANZAN, Anna Carolina M. et al. Obtenção dos princípios ativos da curcuma (Curcuma longa linn) pelo processo de extração com solventes voláteis In: XI Encontro Anual de Iniciação Científica . Maringá, PR: Universidade Estadual de Maringá, de 1 a 4/10/2002. Disponível em http://www.ppg.uem.br/Docs/pes/eaic/XI_EAIC/trabalhos/%0barquivos/11-2067-0.pdf – Consultado em 13/09/2009

MELO, Marilia Martins; LUCIA, Maria e HABERMEHL, Gerhard G.. Tratamento tópico com extratos de plantas no envenenamento por Bothrops alternatus.In: Revista Brasileira de Farmacognosia. João Pessoa, PB: 2007 (v. 17, nº 1). Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php – Consultado em 02/09/2009

NEGRAES, Paula. Guia A-Z de Plantas: condimentos. São Paulo: Bei Comunicação, 2007.

___________. Who Monographs on Selected Medicinal Plants. Geneva: WHO, 1999 (v. 1). Disponível em http://whqlibdoc.who.int/publications/1999/9241545178.pdf%20–%20Consultado%20em%2009/08/2009


PANIZZA, Sylvio. Plantas na cozinha: ensinando a cuidar da saúde com temperos, especiarias e outros alimentos. São Paulo: Prestígio, 2005.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Gengibre - Zingiber officinallis

Gengibre - Zingiber officinallis
Sua origem é indiana e seu nome derivado da palavra sânscrita cringavera, derivando da família das Zingiberácea. Foi cultuada por diversos povos sendo considerada pelos chineses como um alimento espiritual, capaz de ligar o homem com os deuses. Ao longo do tempo passou de planta muito cara e destinada apenas a nobreza, por uma popularização tendo seu acesso disponível a todas as classes sociais a partir do império romano. Foi disseminado por toda Europa passando por épocas de desuso, mas voltando com maior força nos últimos tempos devido a diversas descobertas científicas quanto a suas propriedades medicinais.

O gengibre tem sido utilizado no oriente há mais de 2.000 anos, havendo referências de que nos séculos XII a XIV era tão popular na Europa quanto a pimenta do reino. Antes do descobrimento da América já era largamente utilizado pelos árabes, como expectorante e afrodisíaco, sendo difundido por toda a Ásia tropical, da China à Índia. Foi introduzido na América logo após o descobrimento, sendo que os primeiros relatos comentam que inicialmente foi cultivado no México, sendo em seguida levado às Antilhas, principalmente à Jamaica, a qual em 1.547, chegou a exportar cerca de 1.100 t para a Europa (LISSA, 1996).

O gengibre possui um amplo espectro de mercado, sendo comercializado como planta medicinal, na indústria de perfumes e na indústria alimentícia para produção de bebidas, produtos de confeitarias como pães bolos, biscoitos e geléias, na culinária oriental em pratos frescos ou em conserva. Ainda dentro da industria de alimentos seu uso como condimento melhora o aroma e a pungência devido à presença de constituintes aromáticos e voláteis e sua ação antioxidante, é importante na estabilidade química de muitos produtos, contribuindo para retardar a oxidação de óleos e gorduras em alimentos, tanto de origem vegetal, como de animal. Essa ação tem sido creditada aos grupos fenólicos presentes nos constituintes do gengibre, como o gingerol, shogaol e gingerona.


Cultivo - Solo/Clima: Amplamente cultivada pelo mundo com destaque para o Camboja, China, Índia, Vietnã, África, México e Jamaica. No Brasil o gengibre é cultivado principalmente na região sudeste e sul principalmente nas regiões litorânea, e a maior parte de sua produção é destinada ao mercado externo (R. bras. Agrociência, Hortic. bras., v. 23, n. 4, out.-dez. 2005).

A estação das chuvas é a indicada para iniciar o plantio de gengibre, em especial os meses de setembro a novembro, preferindo os climas tropical e subtropical.

O gengibre se desenvolve melhor em terrenos areno-argilosos, com boa quantidade de húmus e bem drenados. Para o melhor desenvolvimento da planta é necessário seu cultivo em áreas bem ensolaradas.

Sua propagação se dá a partir dos gomos, que são pedaços de rizoma, com 1 a 2 brotos que podem ser plantados diretamente no solo sendo que o mesmo deve ter uma camada de terra fofa de aproximadamente 25 cm, os rizomas devem estar a oito centímetros a distância um do outro e os canteiros devem ter cerca de um metro para o bom desenvolvimento da raiz.

Sua colheita é manual e realizada depois de 6 meses do plantio, se estendendo até 10 meses, sendo que quanto mais novo for o gengibre menos picante ele é.

O gengibre após colhido pode ser conservado frescos guardados em refrigeração por algumas semanas, ou podem ser secados ao sol ou em desidratadores, nunca acima de 60ºC, e depois triturados e guardados em potes ao abrigo da luz, podem ser fatiados e conservados em vinagre ou ainda serem cristalizados.

Não se aconselha o cultivo continuo do gengibre em uma mesma área, pois sofre queda acentuada de produção

Parte usada: Rizoma (raiz)

Princípios ativos: Óleos essenciais entre 2 e 3% constituídos de sesquiterpenos e monoterpenos, amido (60%), aminoácidos, proteína, vitaminas (B3 e B6), sais minerais (cálcio, manganês, selênio e zinco), sabores amargos e acres, ácidos orgânicos e mucilagem.

Propriedades terapêuticas: Estimulante gastrintestinal, aperiente, carminativo, antiemética, rouquidão, tônico, expectorante, reumatismos, anti-séptico e antiinflamatório.
O extrato de gengibre apresentou atividade inibitória sobre os sorotipos de E. coli: 08 (enterotoxigenico) e 088.

Indicações terapêuticas: Artrite, sintomas do aparelho respiratório como rinite, faringite, laringite, tosses, irritações das cordas vocais e alergias respiratórias, na redução do colesterol, para aumentar a imunidade celular e até externamente para estimular a circulação, reduzir dores e rigidez musculares, combater gases intestinais, traumatismo, reumatismo , diabete, asma, bronquite, amigdalite.
Hoje é popularmente usado como estomáquico (digestivo), carminativo e para náuseas e vômitos (aniemético). Principalmente pós-operatórios e os causados por viagens (as marítimas, por exemplo), o que foi provado por J. Pace em 1987 e comprovado por M. Bone et al em 1990, no Hospital São Bartolomeu de Londres, além de outros estudiosos.

É o melhor medicamento para náuseas e vômitos, Há seis trabalhos internacionais publicados, de 1998 para cá, comprovando ações desta planta espetacular. W. Rasmussen Fischer (em 1990) estudou seu efeito em grávidas e fez com que o European American Phytomedicines Coalition pleiteasse perante o FDA a sua inclusão como droga antinauseante. O Dr. Daniel Mowrer (em Utah, EUA) revelou que esta droga é melhor que o “dramamine”, droga conceituada mundialmente como antiemética de primeira. Em 2000, o British Journal of Anaesthesia, em seu volume 84 (3), das páginas 367 a 371, publicou trabalho comprovando nos EUA este efeito por E. Ernst et M. H. Pitler. Tem efeito antiplaquetário - portanto pode facilitar sangramentos, o que faz com que cuidemos mais quando a indicamos para gestante, apesar do trabalho do pesquisador. J. Sertie (1992) mostrou seu efeito antiácido e Yamahara, Kasahara, Sakai e Yoshikawa mostraram ser o gengibre um bom cicatrizante de úlceras pépticas. Inibição da agregação das plaquetas e da formação de prostaglandinas foram comprovadas por Srivastava, Mustafá, Verma, Lumb, todos na década passada.
Foi comprovado por Srivastava (em 1992) como antinflamatório e antipirético em animais. Está na farmacopéia da Áustria, EUA, Grã-Bretanha, China, Egito, Japão, Índia e Suíça, o que é sinal de comprovação científica de seus atributos.

Na Índia é tida como planta quente, pois acumula o fogo que consegue com a fotossíntese e segundo eles é o princípio do metabolismo e da transformação. Assim ela gera energia em nosso corpo.
Usos aprovados pela comissão E, prevenção de sintomas de cinetoses e problemas dispépticos. Como alimento tem 61 calorias em cada 100g.

Contra indicação: Óleo essencial é contra indicado durante a gravidez e o aleitamento materno, pessoas com colite, úlceras pépticas, doenças hepáticas e neurológicas.

Uso culinário: Gengibre possui sabor forte, quente, doce e picante, conserva particularidades especificas de sabor, aroma e propriedades quando utilizado fresco, em conserva ou seco. É muito utilizado na culinária oriental, sendo aplica em uma infinidade de pratos como bolos, pães, sobremesas, molhos, sopas, aperitivos, arroz, carnes, peixes, aves, legumes, saladas, frutas e bebidas.



Referencias:

ALONSO, J R., Tratado de Fitoterapia, Bases Clinicas y Farmacológicas, Editora: Íris, 1998.

LINGUANOTTO, NELUSKO NETO. Ervas & Especiarias: com suas receitas: dicionário gastronômico. 2a São Paulo – SP, Editora Gourmet Brazil / Boccato Editores, 2004.

Plantas que Curam: cheiro de mato. São Paulo – SP, IBRASA, 1997.

NEGRAES, PAULA. Guia A-Z de Plantas: condimentos. São Paulo – SP, Bei Comunicação, 2007.

PANIZZA, SYLVIO. Plantas na cozinha: ensinando a cuidar da saúde com temperos, especiarias e outros alimentos. São Paulo – SP, prestigio 2005.

MARTINS, ERNANE RONIE. CASTRO, DANIEL MELO de. CASTELLANI, DÉBORA CRISTINA. DIAS, JAQUELINE EVANGELISTA. Plantas Medicinais. Viçosa – MG, Universidade Federal de Viçosa, 2000

Rosy L. Bornhausen. As Ervas do Sítio. São Paulo – SP, Bei Comunicação, 2008

Na web:
http://ci-67.ciagri.usp.br/pm/ver_1pl.asp
www.wpro.who.int/internet/files/pub/69/toc.pdfs
http://www.cpafro.embrapa.br/embrapa/infotec/gengibre.PDF
http://www.ufpel.tche.br/faem/agrociencia/v10n1/artigo08.pdf
http://www.scielo.br/pdf/hb/v23n4/a33v23n4.pdf
http://www.editora.ufrrj.br/rcv/vida27-1/10-20.pdf
http://www.iapar.br/

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Manjericão

Manjericão - Ocimum basilicum
Família: Labiadas

O manjericão, ocimum basilicum, derivando da palavra grega basilikon que está associada a nobreza, é uma planta herbácea da família das lamiaceas ocorrendo em mais de 60 espécies e apresentando propriedades aromáticas e medicinais.

Sua origem é asiática sendo muito cultuado e utilizado na índia, onde ele era considerado sagrado e invocado para afastar o mal, já em Creta “amor lavado em lagrimas ” e os italianos usam para presentear a pessoa amada. Registros que datam 2000 a.C. citam o comercio de manjericão entre os hindus e os egípcios.

Apresenta um caule ereto e ramificado atingindo entre 0,5 e 1 metro de altura. Suas folhas delicadas possuem um formato ovalado e uma coloração que pode variar em tons de verdes, vermelhos e roxos. As inflorescências são do tipo espiga e compostas por flores brancas, lilases ou avermelhadas. A polinização é cruzada e seus frutos são do tipo aquênio possuindo uma coloração preto-azulada.

As variedades de manjericão podem ser identificadas, por suas variações na cor, tamanho e forma das folhas, porte da planta e concentração de aroma, que pode ser classificado como: doce, limão, cinamato ou canela, cânfora, anis e cravo.

Seu óleo essencial é extraído das folhas e ápices com inflorescências através de hidrodestilações, sendo o óleo de manjericão europeu o mais valorizado no mercado, onde os principais constituintes são o linalol (40,5 a 48,2%) e metil-cavicol (estragol) (28,9 a 31,6%).

Cultivo - Solo/Clima: É uma planta anual ou perene, gosta do clima tropical e solos drenados, ricos em matéria orgânica e levemente alcalinos. Propaga-se por sementes ou estacas herbáceas de ponteiros de plantas matrizes selecionadas pelo vigor e sanidade, o plantio aconselhado no início da primavera, logo após as primeiras chuvas.

Espaçamento – A densidade de plantas por hectare pode variar em função do sistema de cultivo adotado. Para cultivos caseiros ou em pequenas áreas, o espaçamento recomendado é de 0,6 m entre linhas e 0,4 m entre plantas. Cultivos intensivos com colheita mecânica requerem espaçamentos adequados ao tráfego de máquinas. Informações mais detalhadas devem ser obtidas com técnicos especialistas.

Manejo - É exigente em água e tratos culturais, necessitando fertilizações freqüentes quando se deseja cortes sucessivos da planta. Nesse caso, capinas, controle de doenças, fertilizações com nitrogênio e potássio em cobertura, e aplicações de compostos orgânicos são fundamentais.

Fertilizações – Costuma-se fazer aplicações de 5 kg m-2 de esterco de curral curtido em lavouras comerciais.

Colheita - o primeiro corte é feito 3 meses após o plantio das mudas no campo, devendo ser realizado a 40 cm do nível do solo para que a planta não morra e tenha rápida resposta na produção de novos ramos. Os próximos cortes devem ser realizados a cada 50 a 60 dias, ou quando as copas estiverem se encontrando, para evitar que as folhas na parte de baixo caiam com a pouca luminosidade. O intervalo entre os cortes pode variar com a época do ano, sendo que no inverno a taxa de crescimento das plantas reduz drasticamente, mesmo com sistema de irrigação instalado. As flores são fontes de néctar para abelhas melíferas, não sendo recomendo tirá-las.

Em plantas submetidas à cortes muito intensos, pode haver alta taxa de mortalidade, reduzindo a longevidade da cultura para no máximo um ano de cultivo, principalmente quando a altura do corte é menor do que 40 cm, reduzindo drasticamente a capacidade de rebrota da planta.

A produção média de massa seca da parte aérea total acumulada em um ano de cultivo (somatório de ramos secos mais folhas secas) gira em torno de 3 t ha-1 (15 t ha-1 de massa fresca por ano), sendo 1,5 t ha-1 de folhas secas, mas pode alcançar até 33 t ha-1 de massa seca da parte aérea total (165 t ha-1 de massa fresca por ano), sendo 15 t ha-1 de folhas secas.

Extração de óleo – A extração do óleo essencial de manjericão é feita normalmente pelo processo de destilação (arraste de vapor), tendo como principal componente o linalol. O rendimento de óleo na massa fresca total da planta (folhas mais ramos) está ao redor de 0,3 a 0,58%.
Pequenas quantidades de mudas podem ser adquiridas em supermercados ou viveiristas, enquanto sementes podem ser compradas em lojas de produtos agropecuários. Consultar o Departamento de Plantas Aromáticas e Medicinais do Centro de Horticultura do Instituto Agronômico (IAC), em Campinas (SP) para aquisição de grandes quantidades de sementes e mudas ou obtenção de informações adicionais sobre a cultura.

Partes usadas: Folhas e flores.

Princípios ativos principais: Óleos essenciais até 1,5% sendo a maior parte o estragol seguido por cineol, linalol, eugenol, hidrocarbonetos monoterpénicos e acetato de linalilo. Flavonóides, sais minerais, saponósidos, taninos e ácidos fenólicos.

Uso Medicinal: Seu chá quente é ótimo contra atrasos do ciclo menstrual. É antiespasmódica, gastrite, calmante leve, dor de cabeça. Pode também ser misturado à água do banho contra stress.

Na medicina popular, as suas folhas e flores são utilizadas no preparo de chás por suas propriedades tônicas e digestivas, sendo frequentemente utilizadas no tratamento de enjôos, vômitos e dores de estômago. São indicados ainda para problemas respiratórios e reumáticos.

Indicações terapêuticas: Anorexia, constipação leve, hipo ou hipersecreção, cólicas intestinais, flatulências, diurético, resfriados, tosse, enxaquecas, infecções orofaríngeas, sintomas reumáticos e dores musculares.

Repelência Sobre Adultos. Nos tratamentos à base de pós da parte aérea de C. ambrosioides, de folhas de E. citriodora, L. glyptocarpa, M. pulegium, O. basilicum, O. minimum e R. graveolens; de cascas dos frutos de C. reticulata e C. sinensis e de frutos de L. glyptocarpa e M. azedarach, as porcentagens de insetos atraídos foram menores do que nas respectivas testemunhas, podendo, os mesmos serem considerados repelentes com base nesse critério.

O óleo essencial do manjericão mostrou-se eficaz na inibição de germinação de conídios de C. graminicola conforme citado em estudo por uso de extratos vegetais no controle de fungos fitopatogênicos.

Contra indicação: O óleo essencial não é indicado para uso interno no período de gestação e aleitamento, e em pessoas com problemas intestinais e doenças neurológicas

Culinário: O manjericão é muito utilizado na culinária italiana principalmente nas receitas que utilizam tomates. Também utilizados na preparação de arroz, carnes, peixes, frutos do mar, saladas, legumes e hortaliças, em omeletes, queijos, batatas entre outros. Suas folhas frescas devem ser acrescentadas no final do cozimento para que seus princípios ativos sejam preservados.

Bibliografia:

ALONSO, J R., Tratado de Fitoterapia, Bases Clinicas y Farmacológicas, Editora: Íris, 1998.

LINGUANOTTO, NELUSKO NETO. Ervas & Especiarias: com suas receitas: dicionário gastronômico. 2a São Paulo – SP, Editora Gourmet Brazil / Boccato Editores, 2004.

Plantas que Curam: cheiro de mato. São Paulo – SP,
IBRASA, 1997.

NEGRAES, PAULA. Guia A-Z de Plantas: condimentos. São Paulo – SP, Bei Comunicação, 2007.

PANIZZA, SYLVIO. Plantas na cozinha: ensinando a cuidar da saúde com temperos, especiarias e outros alimentos. São Paulo – SP, prestigio 2005.

MARTINS, ERNANE RONIE. CASTRO, DANIEL MELO de. CASTELLANI, DÉBORA CRISTINA. DIAS, JAQUELINE EVANGELISTA. Plantas Medicinais. Viçosa – MG, Universidade Federal de Viçosa, 2000

Rosy L. Bornhausen. As Ervas do Sítio. São Paulo – SP, Bei Comunicação, 2008.

http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/floresta/article/viewFile/2361/1973 - consultado em 03 de agosto de 2009.

http://www.editora.ufla.br/BolTecnico/pdf/bol_62.pdf - consultado em 03 de agosto de 2009.
http://www.scielo.br/pdf/ne/v32n1/15584.pdf - consultado em 03 de agosto de 2009.

http://www.jardineiro.net/br/banco/ocimum_basilicum.php - consultado em 03 de agosto de 2009.

http://www.iac.sp.gov.br/Tecnologias/Manjericao/Manjericao.htm - consultado em 03 de agosto de 2009.